FORA DO “PAGANUS” E DENTRO DO OCULTISMO — A PROBLEMÁTICA DA PALAVRA “PAGANISMO”

Atualizado: 8 de fev.


O meu percurso, como o de muitos, começou em práticas religiosas baseadas em cultos pré-cristãos, mais comummente chamados hoje em dia de neo-paganismo. Comecei o meu percurso pela bruxaria ecléctica e passei por práticas de druidismo e de uma wicca próxima da descrita pelos livros do casal Farrar e Doreen Valiente. O meu percurso incidiu em práticas do chamado neo-paganismo europeu. Mais tarde fui iniciado numa das Tradições da Wicca Tradicional — a Tradição Alexandrina. Esta é a única pratico até hoje. Tendo sido treinado na mesma, sendo o Sumo Sacerdote de um Coven Alexandrino em Boston e embora reconheça que todas as experiências são validas, hoje não me considero pagão nem o que faço paganismo. Não tenho nada contra o paganismo ou os pagãos, apenas não acho que a palavra me define ou define aquilo que pratico. Outras nomenclaturas foram criadas e novos significados foram descobertos. Utilizar uma palavra para determinar ou identificar uma prática religiosa, é por vezes difícil, pois pode ser mal interpretada, dependendo da história que esta palavra carrega em si e da forma como é vista no passado e no presente.


Paganismo é uma palavra que inevitavelmente carrega uma história. Foi usada por cristãos pela primeira vez no inicio da era à qual chamamos de comum, para designar parte da populaça politeísta romana por estes não serem considerados “Soldados de Cristo.” Assim, este termo foi, desde o inicio, usado de forma pejorativa, pressupondo inferioridade por estes adoradores serem politeístas. Mais do que isso, a palavra paganismo literalmente designava a “religião dos camponeses” mas não de forma simpática ou favorável. Este termo era usado sempre de forma derrogatória expressando desrespeito e crítica as práticas dos “gentis.” A palavra é também usada para descrever alguns dos sectores do cristianismo “menos cristãos” pelos próprios cristão